O relatório Women in the Workplace 2025, considerado o mais amplo estudo anual sobre a experiência das mulheres no mundo do trabalho, revela que a progressão profissional feminina continua limitada por padrões estruturais, como menor acesso a sponsorship, níveis elevados de burnout e redução da ambição em fases intermédias da carreira, apesar da presença significativa das mulheres na força de trabalho.
Dados do Women in the Workplace 2025
A edição de 2025 do Women in the Workplace foi realizada no mercado de trabalho dos Estados Unidos e envolveu 124 organizações, 1.500 colaboradores e 62 entrevistas directas com líderes de Recursos Humanos. O estudo combina dados organizacionais com inquéritos aplicados a mulheres e homens em diferentes níveis hierárquicos.
Embora o relatório tenha como base o contexto norte-americano, a análise centra-se em dinâmicas organizacionais, não em enquadramentos legais ou culturais específicos, o que permite a leitura dos dados em outros contextos profissionais, incluindo Angola.
Desigualdade de progressão ao longo da hierarquia
Um dos padrões identificados pelo relatório é a redução progressiva da presença feminina à medida que a hierarquia organizacional avança. Apesar de representarem uma parcela relevante da força de trabalho, as mulheres continuam sub-representadas em cargos de liderança sénior.
O estudo indica ainda que, em todos os níveis de carreira, as mulheres têm menor acesso a sponsorship quando comparadas aos homens, um factor directamente associado à progressão profissional.

Acesso limitado a sponsorship desde o início da carreira
De acordo com o relatório, a desigualdade no acesso a sponsorship surge logo nas fases iniciais da trajectória profissional. O sponsorship é descrito como um mecanismo de defesa activa em espaços de decisão, incluindo indicações para projectos estratégicos, validação pública de prontidão e influência em processos de promoção.
Os dados mostram que este tipo de apoio não é distribuído de forma neutra, sendo frequentemente influenciado por redes de confiança e pertença que tendem a reproduzir perfis já existentes em posições de poder.
Ambição feminina e contexto organizacional
O Women in the Workplace 2025 também analisa o chamado “gap de ambição”. Os dados indicam que mulheres demonstram menor interesse em promoções em determinadas fases da carreira, sobretudo no nível intermédio.
No entanto, o relatório aponta que mulheres e homens apresentam níveis semelhantes de compromisso e desempenho quando dispõem de níveis equivalentes de apoio organizacional. A diferença na ambição surge associada ao contexto e não a características individuais.
Gestão intermédia e decisões de carreira
O estudo destaca que grande parte das decisões que influenciam trajectórias profissionais ocorre ao nível da gestão intermédia. São estes níveis que determinam a distribuição de projectos visíveis, o acesso a feedback relevante, as indicações para oportunidades estratégicas e a defesa de colaboradores em espaços de decisão.
Esta dinâmica reforça o impacto das relações organizacionais na progressão profissional.
Flexibilidade laboral e penalizações informais
Embora modelos de trabalho flexível estejam associados a maior retenção e satisfação, o relatório identifica penalizações informais, sobretudo para mulheres. Entre os efeitos observados estão menor acesso a projectos estratégicos, exclusão de decisões informais e associações implícitas entre presença física e compromisso profissional.
Diferenças por fase da carreira
O relatório mostra que os desafios enfrentados pelas mulheres variam conforme a fase da carreira. No início, surgem desigualdades silenciosas no acesso a oportunidades. No meio da trajectória profissional, registam-se maior estagnação e desgaste. Em posições sénior, persistem elevados custos emocionais e sub-representação nos níveis de decisão estratégica.
Contexto organizacional e funcionamento do mercado de trabalho
Os dados indicam ainda que organizações com maior presença feminina em posições de liderança apresentam níveis mais elevados de retenção e compromisso das equipas. O relatório enquadra estes resultados como aspectos ligados ao funcionamento organizacional e não como ganhos simbólicos.
O Women in the Workplace 2025 contribui para a compreensão dos mecanismos estruturais que influenciam a progressão profissional feminina, evidenciando como acesso, apoio e reconhecimento continuam a ser distribuídos de forma desigual no mundo do trabalho.

6 comentários
Que reflexão maravilhosa! Obrigada por trazeres isso para nós Carol! 😍
excelente, Carol!
tão importante nos atentarmos para o quanto esse modelo estrutural inibe o desejo das mulheres de ascensão profissional, desde o início da carreira. isso nos coloca, constantemente, nessa busca tortuosa por oportunidades que se apresentam inacessíveis a partir desses dados — não importa o quão qualificadas e/ou dispostas a aprender estejamos.
essa perspectiva, por si só, já é motivo de desgaste e exaustão emocional; quando acrescentamos o fato de que, mesmo apresentando resultados mais efetivos no que diz respeito a desempenho, retenção e engajamento das equipes, ainda assim, as mulheres seguem lutando para provar que merecem um espaço, de fato, nos faz repensar o tipo de ambientes de trabalho que nossa sociedade vem construindo.
obrigada por trazer esses dados pra reflexão!
Nossa! E essa é a sociedade que vivemos.
Quando ter uma chefa sempre pense: “eu reagiria assim se estivesse recebendo essa mesma ordem de um homem”. Você vai entender como o machismo está enraizado em você.
Carol sempre maravilhosa em tudo que faz !
É importante nos darmos conta desse cenário, pois isso também e sobre cada uma de nós. Que nós possamos ser respeitadas, valorizadas e dignas de exercer o poder que carregamos com liberdade
Excelente ❤️