Hellie Groove é o nome artístico de Helena Morais dos Santos Neto, actualmente uma das figuras mais marcantes da dança urbana em Angola. A bailarina, professora e empreendedora, de 29 anos, constrói a sua trajectória num cenário ainda dominado por figuras masculinas, mas a sua luta tem servido para abrir caminhos e levar mensagens transformadoras a outras amantes do estilo e artistas urbanos de modo geral.
Foi na tenra idade que a artista se descobriu bailarina. Mas foi nas ruas e nas batalhas que encontrou o seu espaço de expressão artística, mesmo sem grandes referências femininas no estilo que a encantou, o popping.
“Sou uma mulher que encontra na dança a liberdade que muitas vezes a vida tenta negar”, afirma.
A precursora num palco internacional
Em 2024, fez história e tornou-se a primeira mulher Popper a representar Angola no festival IDAEB – Intercâmbio de Dança Angola e Brasil, um marco que considera colectivo.
“Não foi só uma conquista minha. Foi de todas as mulheres que dançam estilos marginalizados e que não se encaixam nos moldes tradicionais”, declara.
Esse momento revelou não somente o seu talento, mas também o seu compromisso com a visibilidade e o respeito pela dança urbana feita por mulheres, e trouxe esperança para uma comunidade artística que ainda luta por reconhecimento.
Uma sonhadora que empreende e forma
Hellie não se limita aos palcos. Usa a sua formação em Gestão de Empresas e a sensibilidade artística para gerir as outras áreas a que se dedica. A empreender no ramo desportivo e artístico, fundou as marcas PopGroove e Fit Groove, ligadas à promoção de eventos infantis e bem-estar, respectivamente. Idealizou o projecto Invasão das Ruas, uma iniciativa comunitária que tem em carteira, cujo objectivo principal é: levar a arte urbana para os bairros de Luanda, e envolvê-los em acções de expressão cultural.
Visão para o futuro: criar espaços e multiplicar talentos
A semi-finalista do concurso ‘BAI Dança Com Ritmo’, edição 2021, deseja abrir um centro de formação em danças urbanas, em Angola, um espaço que una formação técnica, inclusão e valorização da cultura afro-urbana. Quer, também, consolidar a PopGroove e o Nzila Groove como marcas de referência no sector criativo angolano e continuar a eternizar talentos através da produção de videoclipes e acções culturais e artísticas de visibilidade.
“O mundo precisa conhecer a potência da dança africana urbana”, reforça Hellie Groove, com a firmeza de uma sensível sonhadora.