Mais do que um concurso de poesia, o Slam Mulheres do Sul foi um grito colectivo por liberdade de escolha, empoderamento e justiça social no feminino.

Poesia como ferramenta de resistência

No dia 22 de Agosto de 2025, o município do Lubango, província da Huíla, acolheu a primeira edição do Concurso Regional Sul de Poesia Marginal para Mulheres, conhecido como Slam Mulheres do Sul (SMS).

Com o tema “A Liberdade de Escolha”, o evento afirmou-se como uma plataforma artística e activista que deu voz às mulheres das regiões Sul e Centro-Sul de Angola através da poesia performativa.

Criado pelo poeta Onézimo Baptista, o projecto nasceu da necessidade de abrir espaços seguros e expressivos onde mulheres-poetas pudessem defender os seus direitos e os de outras, usando a palavra como arma de criatividade, crítica e consciência.

A iniciativa foi promovida pela Kakueya – Gestão de Eventos e pelo Mosaiko – Instituto para a Cidadania, com financiamento da MISERIOR e do Goethe-Institut Angola, e apoio institucional do Conselho Provincial de Juventude da Huíla e da empresa Café Bandula.

Muito além da competição SLAM Mulheres do Sul

O Slam Mulheres do Sul foi mais do que um concurso: representou um espaço de formação, empoderamento e afirmação cultural. No dia 21 de Agosto, as finalistas participaram numa oficina sobre Direitos Humanos, conduzida pelo Mosaiko, que destacou a protecção contra abusos e a promoção da cidadania activa.

No total, 20 mulheres foram capacitadas em Direitos Humanos e Fundamentais, e cerca de 120 pessoas participaram directa ou indirectamente nas actividades.

SLAM do Sul: Representatividade e originalidade em destaque

A edição de 2025 recebeu 326 candidaturas, revelando o crescente interesse e talento entre mulheres angolanas na poesia marginal. Foram seleccionadas 14 finalistas oriundas das províncias da Huíla, Namibe, Cunene, Huambo, Bié e Benguela.

As performances decorreram no anfiteatro do ISCED-Huíla e foram avaliadas por um júri de cinco especialistas. A análise considerou critérios como originalidade, coerência poética, fidelidade ao tema, domínio do tempo e presença de palco, elementos que definem a essência da slam poetry.

As vencedoras do SLAM Mulheres do Sul

O momento alto foi a revelação das vencedoras:

🥇 1.º lugar: Tchissola Faria (Benguela) – 100.000,00 Kz
🥈 2.º lugar: Rita Munjanga (Huíla) – 70.000,00 Kz
🥉 3.º lugar: Arleth Mungongo (Huíla) – 50.000,00 Kz
🎓 Prémio Especial “Sulana – Bolsa de Estudos”Rita Munjanga (Huíla)

Os prémios foram entregues com descontos regulamentares, sendo parte do valor revertido para a Campanha de Arborização, que já plantou mais de 900 mudas em diferentes pontos do Lubango.

Um palco para a liberdade poética e a cidadania

O Slam Mulheres do Sul preservou a cultura angolana, abriu oportunidades e deu visibilidade a artistas emergentes, ao mesmo tempo que reforçou os direitos das mulheres. Mais do que um espectáculo, o evento transformou-se num acto colectivo de cidadania activa, onde a poesia foi usada para questionar normas sociais, denunciar desigualdades e afirmar, em uníssono, a liberdade de escolha das mulheres angolanas.

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