A imunologista norte-americana Mary E. Brunkow venceu o Prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina 2025, atribuído pela Academia Real das Ciências da Suécia, pelo contributo decisivo para a compreensão da origem das doenças auto-imunes.
A cientista partilhou a distinção com os investigadores Fred Ramsdell e Shimon Sakaguchi, após décadas de investigação sobre os mecanismos de regulação do sistema imunitário. O trabalho do trio permitiu explicar como o organismo distingue o que lhe pertence daquilo que deve ser combatido, e o que acontece quando essa distinção falha.
A descoberta tem impacto directo na vida de milhões de pessoas em todo o mundo, sobretudo mulheres, que são maioritariamente afectadas por doenças auto-imunes.
Percurso científico de Mary E. Brunkow até ao Nobel 2025
Mary E. Brunkow construiu a sua carreira na área da imunologia molecular, dedicando-se ao estudo dos mecanismos de controlo do sistema imunitário. Ao longo dos anos, concentrou-se na investigação genética associada a disfunções imunológicas graves.
Em colaboração com Fred Ramsdell, identificou o papel central do gene FOXP3, essencial para o desenvolvimento e funcionamento das chamadas células T reguladoras. Esta descoberta revelou a base molecular que explica várias doenças auto-imunes.
O reconhecimento agora atribuído pelo Nobel consolida um percurso científico marcado pela consistência, rigor e impacto global.
A explicação das doenças auto-imunes
O sistema imunitário protege o organismo contra vírus, bactérias e outras ameaças externas. No entanto, nas doenças auto-imunes, esse sistema perde a capacidade de reconhecimento adequado. Em vez de proteger, ataca tecidos saudáveis.
Diabetes tipo 1, lúpus e esclerose múltipla são exemplos dessa disfunção. Estas patologias provocam inflamação persistente e podem comprometer significativamente a qualidade de vida.
Durante décadas, a comunidade científica procurou compreender a origem deste erro biológico. A investigação premiada demonstrou que as células T reguladoras funcionam como mecanismo de controlo, impedindo reacções exageradas do sistema imunitário.
Sem o gene FOXP3 funcional, essas células não desempenham correctamente a sua função. Consequentemente, o organismo pode entrar em auto-agressão. Esta ligação genética permitiu clarificar a base científica de múltiplas doenças auto-imunes.
Impacto científico e novas possibilidades terapêuticas
A distinção atribuída a Mary E. Brunkow não se limita à descoberta laboratorial. A identificação do mecanismo regulador abre caminho para novas abordagens terapêuticas.
Entre as possibilidades em estudo estão:
- Tratamentos mais dirigidos para doenças auto-imunes;
- Melhor controlo da rejeição em transplantes;
- Estratégias mais equilibradas em terapias oncológicas;
- Desenvolvimento de intervenções personalizadas em imunologia.
Além disso, a investigação permite explorar formas de reforçar ou modular as células T reguladoras, com o objectivo de restaurar o equilíbrio do sistema imunitário.
Saúde da mulher e doenças auto-imunes
As doenças auto-imunes afectam maioritariamente mulheres. Em muitos casos, os sintomas são inicialmente desvalorizados ou confundidos com outras condições, o que pode atrasar o diagnóstico.
Por essa razão, a descoberta agora reconhecida com o Nobel de Medicina 2025 assume também relevância na área da saúde feminina. Ao clarificar os mecanismos biológicos envolvidos, a investigação contribui para uma abordagem mais precisa e informada.
Ainda há etapas clínicas por desenvolver. No entanto, a ciência dispõe agora de uma base sólida para avançar com maior exactidão.
Um reconhecimento que marca a imunologia moderna
O Nobel de Medicina 2025 reconhece uma transformação no entendimento do sistema imunitário. Compreender como o organismo evita atacar-se a si próprio representa um passo determinante para tratar, e eventualmente prevenir, doenças que durante anos permaneceram envoltas em incerteza.
No percurso de Mary E. Brunkow, esta distinção simboliza o culminar de décadas de investigação científica consistente. Para a medicina, representa um avanço estrutural na imunologia contemporânea.
E para si, qual é a importância desta descoberta para a saúde da mulher e para o futuro da medicina? Partilhe a sua opinião nos comentários.


