Especial Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência
O 11 de Fevereiro, dia Internacional Das Mulheres e Meninas na Ciência, uma data instituída pelas Nações Unidas para promover o acesso e a participação plena e igualitária das mulheres nas áreas científicas.
No contexto nacional, várias profissionais têm contribuído de forma consistente para o avanço do conhecimento, da inovação e da investigação. Entre elas destacam-se Teresa Matoso Victor, Fernanda Lage, Adjany Costa, Vangiliya Yotana Ribeiro Filipe Pereira, Ana Paula Tavares e Nyanga Tyitapeka, cujas trajectórias reforçam a presença feminina nas áreas de STEM, ambiente, engenharia, ciências humanas e tecnologia.
Ciências Exactas e da Terra: Investigação com reconhecimento internacional
Teresa Matoso Victor
Engenheira química e investigadora, Teresa Matoso Victor tem desenvolvido estudos sobre compostos como a prodigiosina e a actinorhodin, substâncias com potencial aplicação antibiótica e relevância biotecnológica.
O seu trabalho combina investigação laboratorial, inovação científica e impacto académico. Reconhecida internacionalmente, foi distinguida pelo Presidente da República de Angola e recebeu prémios científicos de relevância global. A sua trajectória tem servido de referência para estudantes e jovens investigadoras nas áreas da Química e Engenharia Química.
Ciências Biológicas: Educação, ambiente e conservação
Fernanda Lage
Bióloga e professora investigadora, Fernanda Lage dedica-se à formação académica e à promoção da inclusão de mulheres nas áreas científicas.
Através de iniciativas educativas, tem trabalhado para aumentar a participação feminina em STEM em Angola, chamando atenção para barreiras culturais e institucionais que ainda limitam o acesso das mulheres à ciência. O seu contributo passa tanto pela investigação como pela mobilização académica.
Adjany Costa
Bióloga, exploradora da National Geographic e nomeada “Jovem Campeã da Terra” pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (ONU), Adjany Costa tem centrado o seu trabalho na conservação do ecossistema do Okavango.
A investigadora combina ciência de campo com advocacy ambiental, promovendo a protecção de espécies endémicas e a valorização do património natural angolano. O seu trabalho colocou Angola em destaque na investigação internacional sobre biodiversidade e sustentabilidade.
Engenharias: Presença feminina em áreas técnicas
Vangiliya Pereira
Com formação em Engenharia de Electrónica e Telecomunicações e mestrado em Comunicações Móveis e por Satélite, especializou-se em desenho, arquitectura e operação de satélites, tendo exercido funções de liderança no controlo e missão de satélites e integrado projectos na área das telecomunicações.
Através do seu percurso técnico e institucional, tem contribuído para projectos de engenharia a nível nacional e continental, integrando a lista das 100 engenheiras mais influentes de África segundo a FAEO. O seu contributo reforça a participação de mulheres em sectores historicamente dominados por homens, evidenciando o seu papel na inovação tecnológica e na infra-estrutura estratégica.
Ciências Humanas: Investigação e identidade cultural
Ana Paula Tavares
Poetisa, historiadora e investigadora, Ana Paula Tavares é uma das referências angolanas nas Ciências Humanas. Com mestrado em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, desenvolve estudos sobre história, identidade e memória cultural.
O seu trabalho aproxima investigação académica e valorização cultural, contribuindo para a construção de conhecimento aplicado ao contexto social angolano e africano.
Tecnologia e inovação: Formação para o futuro digital
Nyanga Tyitapeka
Cofundadora da 42 Luanda, tem desempenhado um papel central na expansão da formação tecnológica em Angola. Com mais de dez anos de experiência no sector e formação em Ciências Políticas e Ciência de Sistemas, trouxe para o país o modelo inovador e gratuito da rede internacional 42.
A iniciativa ampliou o acesso à formação em programação e competências digitais para jovens angolanos, contribuindo para a democratização do conhecimento tecnológico e para o fortalecimento do ecossistema digital nacional.
A ciência com um rosto feminino
O Dia Internacional da Mulher e Menina na Ciência evidencia que as mulheres angolanas estão presentes em múltiplas áreas do conhecimento, das engenharias às ciências biológicas, da tecnologia às humanidades.
Apesar dos avanços, os desafios persistem. A representatividade feminina em áreas científicas e tecnológicas ainda exige investimento contínuo em educação, políticas públicas e visibilidade institucional.
Destacar estas profissionais é também reconhecer que a ciência não é espaço exclusivo de homens, mas território de competência, dedicação e estudo.
Celebrar mulheres na ciência é reforçar o compromisso com um futuro mais inclusivo e sustentável.
Que outras profissionais angolanas deveriam integrar esta lista? Partilha connosco nos comentários.
