A coreógrafa e directora de movimento angolana Rubina Suzeth é um dos nomes por detrás de uma das mais recentes campanhas internacionais da Adidas produzidas em Angola. O projecto, idealizado pelo director criativo angolano NAZAR, colocou o Kuduro no centro da narrativa visual e cultural da marca desportiva, numa campanha que celebra a autenticidade dos bairros periféricos e a força da dança urbana angolana.

O convite surgiu no início do ano, através da produtora Nayela, ligada ao projecto desenvolvido em parceria com Toty Samed. Pouco depois, Rubina reuniu-se virtualmente com NAZAR, criativo angolano residente em Amesterdão e responsável pelo conceito da campanha.

“Recebi a chamada e aceitei sem pensar duas vezes”, partilhou a artista, acrescentando que o processo criativo envolveu semanas intensas de preparação, desde a selecção dos bailarinos até à construção coreográfica e preparação corporal dos participantes.

Uma campanha gravada em Luanda com identidade angolana

As gravações decorreram em Luanda, durante um único dia de produção, depois da chegada da equipa internacional da Adidas ao país. Segundo Rubina, o ambiente foi intenso e exigente, mas também profundamente simbólico para a valorização da cultura angolana.

Na campanha, a artista desempenhou múltiplas funções: directora de movimento, coreógrafa e bailarina. A proposta da produção era reunir três performers que representassem a energia e autenticidade do Kuduro, e foi através da sua companhia, a ILU Dance Company, que Rubina seleccionou os bailarinos Raul Alberto e Ronaldo Sambala, posteriormente aprovados pela equipa criativa.

O conceito visual procurava recriar a essência do Kuduro dos anos 2000, com rodas de dança, ambientes periféricos e uma estética crua, genuína e sem excessos. Para Rubina, o objectivo era orientar os corpos para transmitirem verdade e identidade cultural.

“Quero criar e dirigir movimento”

Apesar do reconhecimento como bailarina, Rubina afirma que vive actualmente uma fase de transformação artística. O foco agora está na direcção de movimento e na construção de narrativas coreográficas com identidade própria.

“Já não consigo ver-me apenas como bailarina. Quero criar, quero dirigir movimento”, afirmou.

A artista reforça ainda que não pretende ser limitada ao rótulo de “coreógrafa de Kuduro”, apesar da forte ligação à linguagem que a formou artisticamente. A sua visão passa por explorar diferentes possibilidades criativas, mantendo sempre a representatividade angolana no centro do trabalho.

Kuduro como património cultural e força global

Para Rubina Suzeth, esta campanha representa muito mais do que uma colaboração com uma marca internacional. É também uma afirmação do Kuduro enquanto movimento cultural nascido nas periferias angolanas e hoje capaz de dialogar com o mundo.

“Kuduro to the world”, resume a artista, destacando que o género conseguiu levar uma das maiores marcas desportivas do mundo a Angola para construir uma narrativa baseada numa expressão cultural local.

Com um percurso internacional crescente, Rubina já representou Angola em residências artísticas, festivais e competições em países como Portugal, Turquia, Rússia e Moçambique. É fundadora da ILU Dance Company e foi reconhecida como Dançarina do Ano em Angola em 2023.

Agora, a coreógrafa vê nesta campanha mais um passo na consolidação de uma carreira que une excelência artística, identidade cultural e projecção internacional.

A cultura angolana continua a ganhar espaço no mundo através de mulheres que transformam movimento em narrativa, identidade e impacto. Que outras artistas nacionais merecem reconhecimento internacional?

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