Da intervenção social à Psicologia do Trabalho, Gizela Nogueira construiu uma carreira dedicada ao desenvolvimento humano. Hoje, essa experiência dá consistência ao Smart Teen e leva-a também ao painel da 3.ª edição do Elas à Mesa.
Escolher uma profissão, perceber os próprios talentos ou responder à pergunta “o que quero fazer da minha vida?” pode ser particularmente difícil quando ainda se está a descobrir quem se é.
Para muitos adolescentes, esta fase chega acompanhada de expectativas familiares, comparação com os amigos, inseguranças e receio de fazer a escolha errada. Para os pais, surge outro desafio: como orientar sem decidir pelos filhos?
É neste território que Gizela Nogueira, psicóloga com mais de 20 anos de experiência, tem vindo a concentrar parte do seu trabalho.
Ao longo da sua carreira, passou pela Psicologia Clínica, intervenção social, Recursos Humanos, desenvolvimento juvenil, saúde ocupacional e bem-estar no trabalho. Actualmente, é Técnica Sénior de Aconselhamento e Psicologia no Trabalho na Unitel, onde desenvolve e implementa programas relacionados com saúde ocupacional e promoção do bem-estar dos colaboradores.
No entanto, para compreender o trabalho que desenvolve hoje, é preciso recuar aos primeiros anos de uma trajectória construída muito perto das pessoas.
O percurso da psicóloga Gizela Nogueira começou junto das comunidades
Antes de chegar ao ambiente corporativo, Gizela Nogueira trabalhou directamente com comunidades, crianças, jovens, famílias e educadores.
Na Associação dos Educadores Sociais de Angola, participou em acções relacionadas com saúde sexual e reprodutiva, VIH/SIDA, género e Direitos Humanos. Além disso, esteve envolvida na formação de crianças, conselhos de pais e professores, levando para o terreno temas que exigiam não apenas conhecimento técnico, mas também sensibilidade, escuta e capacidade para compreender diferentes realidades.
Posteriormente, enquanto Oficial de Programas da Norwegian Church Aid South Sudan Program, esteve ligada à análise, aprovação e acompanhamento técnico de projectos desenvolvidos por organizações parceiras.
A experiência no sector empresarial acrescentaria, entretanto, uma nova dimensão ao seu percurso. Em 2013, na Construtora Odebrecht Angola, trabalhou como psicóloga e esteve ligada à gestão do Programa Acreditar, orientado para a formação e desenvolvimento de jovens com vista à sua inserção no mercado de trabalho.
Mais tarde, entre 2016 e 2019, exerceu como psicóloga clínica, realizando acompanhamento psicoterapêutico em áreas como saúde mental, autoconhecimento e regulação emocional.
Apesar dos diferentes contextos, há um fio condutor no seu percurso: o desenvolvimento das pessoas e a criação de condições para que possam fazer escolhas mais conscientes sobre as suas vidas.
Da Psicologia ao desenvolvimento de jovens: uma experiência que se cruza
Com o passar dos anos, o contacto com jovens, famílias, trabalhadores e organizações permitiu à psicóloga observar uma realidade que continua bastante presente: muitos adolescentes chegam ao momento de escolher um curso ou uma profissão sem terem tido tempo ou orientação para perceber verdadeiramente quem são.
Por um lado, existem as expectativas da família. Por outro, surgem as comparações com os amigos, a pressão para decidir rapidamente e o medo de escolher um caminho que mais tarde não faça sentido.
Além disso, os jovens de hoje precisam de tomar decisões num mercado de trabalho em permanente transformação, no qual novas profissões surgem enquanto outras se reinventam.
É precisamente neste contexto que nasce o Smart Teen, programa criado por Gizela Nogueira e dirigido ao desenvolvimento pessoal e à orientação vocacional de adolescentes e jovens.
Smart Teen: a experiência de Gizela Nogueira aplicada à orientação vocacional
Mais do que perguntar a um adolescente “o que queres ser quando cresceres?”, o Smart Teen propõe começar por outra pergunta: “quem és e quem queres tornar-te?”

A diferença parece pequena, mas muda o ponto de partida.
Por isso, o programa não se concentra apenas na escolha de um curso ou profissão. Trabalha também dimensões como autoconhecimento, autoestima, inteligência emocional, relações interpessoais, competências para o futuro, tomada de decisão e construção de um projecto de vida.
Neste sentido, a experiência profissional de Gizela Nogueira dá sustentação à proposta do Smart Teen. O programa reúne áreas que fizeram parte de diferentes momentos da sua carreira: psicologia, educação, juventude, empregabilidade, saúde mental, trabalho com famílias e desenvolvimento humano.
Assim, a orientação vocacional deixa de ser vista como uma decisão isolada e passa a fazer parte de um processo mais amplo de descoberta e preparação para a vida adulta.
A próxima imersão presencial do Smart Teen acontece no dia 4 de Setembro, na Mediateca de Luanda, das 08h30 às 15h30.
Para a psicóloga Gizela Nogueira, orientar também passa pelas famílias
Quando um jovem está a decidir o futuro, raramente decide sozinho.
A família pode ser uma importante rede de apoio, mas também pode, mesmo sem intenção, acrescentar pressão a uma fase já marcada por muitas dúvidas.
Por essa razão, a abordagem desenvolvida por Gizela procura igualmente chamar a atenção para o papel dos pais: acompanhar, ouvir, orientar e ajudar os filhos a descobrir possibilidades sem transformar as expectativas dos adultos nas escolhas dos jovens.
Afinal, escolher uma profissão é importante. Porém, desenvolver segurança emocional, autonomia, capacidade de decisão e conhecimento sobre si próprio pode ser ainda mais determinante para enfrentar as muitas escolhas que virão depois.
Depois do Smart Teen, Gizela Nogueira leva a saúde mental ao Elas à Mesa
Se no Smart Teen o olhar está dirigido aos jovens e às escolhas que começam a definir o futuro, no dia seguinte a conversa muda de geração e de contexto.
No dia 5 de Setembro de 2026, Gizela Nogueira será uma das painelistas da 3.ª edição do Elas à Mesa, evento promovido pelo Mulheres.AO, este ano sob o tema “Quando tudo pesa, quem te segura?”
Saúde mental, corpo, relações, trabalho e direitos estarão no centro de uma conversa construída a partir de questões que atravessam a vida de muitas mulheres.
Porque, entre carreira, filhos, família, relações, responsabilidades financeiras, expectativas profissionais e exigências pessoais, é fácil acumular funções e continuar a responder a tudo como se o cansaço também tivesse de caber na agenda.
É precisamente neste ponto que o percurso de Gizela Nogueira na Psicologia do Trabalho e na saúde ocupacional ganha particular relevância para o painel.
Saúde mental e trabalho: quando dar conta de tudo começa a pesar
Durante vários anos, Gizela tem trabalhado com programas de saúde ocupacional, bem-estar e qualidade de vida no contexto profissional.
Essa experiência permite-lhe trazer para o Elas à Mesa um olhar sobre uma realidade que merece cada vez mais atenção: a relação entre trabalho, saúde mental e bem-estar das mulheres.
Nem sempre o desgaste emocional começa ou termina à porta do escritório. As responsabilidades profissionais acompanham outras dimensões da vida e, muitas vezes, somam-se ao trabalho doméstico, à maternidade, aos cuidados familiares e às exigências das relações.
Por isso, falar de saúde mental das mulheres implica também falar sobre limites, apoio, ambientes de trabalho saudáveis e sobre a importância de reconhecer quando o peso se tornou demasiado.
No Elas à Mesa, esta será uma conversa partilhada com profissionais de diferentes áreas, procurando olhar para a mulher de forma mais completa — não apenas como profissional, mãe, companheira ou cuidadora, mas como pessoa.
Mais de duas décadas de carreira com as pessoas no centro
O Smart Teen e a participação no Elas à Mesa representam públicos e momentos de vida diferentes. Ainda assim, encontram-se num mesmo ponto da trajectória de Gizela Nogueira.
De um lado, estão adolescentes que precisam de ferramentas para compreender quem são antes de tomar decisões importantes sobre o futuro. Do outro, mulheres adultas que enfrentam as exigências do trabalho, da família, das relações e da vida pessoal e que também precisam de informação, orientação e redes de apoio.
Entre os dois está uma profissional cuja carreira tem sido construída a trabalhar com pessoas em diferentes contextos e fases da vida.
Depois de mais de 20 anos entre comunidades, organizações, psicologia clínica, juventude e saúde ocupacional, Gizela Nogueira continua a encontrar novas formas de transformar experiência profissional em ferramentas para o desenvolvimento humano.
E talvez seja esse o ponto que melhor une todo o seu percurso: compreender que nem sempre é preciso ter imediatamente todas as respostas. Muitas vezes, ter informação, orientação e espaço para fazer as perguntas certas já pode ser o início de uma escolha melhor.
