O Clube dos Médicos lançou, na sexta-feira, dia 14 de Agosto, em Luanda, o GRADAM, um projecto integrado de saúde comunitária e capacitação profissional que prevê disponibilizar mais de mil implantes contraceptivos a mulheres de seis províncias angolanas. A iniciativa, avançada pelo jornal O País, tem como um dos principais objectivos contribuir para a prevenção da gravidez precoce.
Nota de clareza: os dispositivos são popularmente conhecidos como “microchips contraceptivos”, mas tratam-se, na prática, de implantes hormonais subdérmicos, pequenas hastes flexíveis colocadas sob a pele do braço, já utilizadas no sistema de saúde angolano, e não de dispositivos electrónicos ou de localização.
O GRADAM vai abranger as províncias de Luanda, Cuando Cubango, Bié, Moxico Leste, Zaire e Cuanza-Sul, regiões onde o acesso a cuidados de saúde sexual e reprodutiva ainda enfrenta constrangimentos importantes.
Microchips fazem parte da intervenção comunitária
Além da intervenção comunitária, o GRADAM prevê capacitar profissionais de saúde das seis províncias em áreas como gravidez precoce, retinoblastoma, albinismo, desnutrição materno-infantil e apoio à malária.
O projecto assenta em duas vertentes principais: capacitação profissional e intervenção comunitária. A componente de formação pretende responder, sobretudo, à escassez de especialistas em determinadas áreas e às dificuldades de deslocação de profissionais para regiões com acesso mais limitado a serviços especializados.
Entre as medidas previstas está ainda a capacitação de técnicos locais para o rastreio do retinoblastoma, reforçando a capacidade de diagnóstico nas comunidades e reduzindo a dependência de especialistas concentrados nos grandes centros urbanos
Prevenção da gravidez precoce entre as prioridades
A prevenção da gravidez precoce surge como uma das áreas prioritárias do GRADAM, através da combinação entre educação em saúde, capacitação dos profissionais e disponibilização de métodos contraceptivos. Angola regista uma das taxas de gravidez na adolescência mais elevadas da região, um problema que compromete a permanência de muitas raparigas na escola e o seu percurso de vida.
A implementação dos mais de mil implantes contraceptivos deverá abranger mulheres das seis províncias seleccionadas, como parte das estratégias de intervenção comunitária. A iniciativa pretende aproximar os serviços de saúde das comunidades e reforçar o acesso à informação sobre saúde sexual e reprodutiva.
Prevenir uma gravidez precoce exige mais do que uma solução isolada, exige informação, acompanhamento e acesso efectivo aos serviços de saúde, algo que projectos como o GRADAM procuram colocar ao alcance de mais mulheres, mesmo nas regiões mais distantes dos grandes centros.
Projecto pretende reduzir falta de especialistas
A iniciativa surge também como resposta à escassez de especialistas em determinadas áreas da saúde, nomeadamente na oncologia.
Por outro lado, algumas regiões enfrentam dificuldades no acesso a profissionais especializados. As limitações estão relacionadas, entre outros factores, com a deslocação de técnicos para zonas de acesso mais difícil.
Por isso, o Clube dos Médicos pretende capacitar profissionais locais. O objectivo é permitir que tenham conhecimentos para realizar o rastreio do retinoblastoma e prestar um acompanhamento mais adequado às comunidades.
Saúde materno-infantil também integra o projecto
A saúde materno-infantil ocupa igualmente um lugar de destaque no projecto. Além da prevenção da gravidez precoce, o GRADAM prevê o reforço dos conhecimentos dos profissionais sobre questões que afectam mães e crianças.
Deste modo, a iniciativa combina intervenção comunitária e formação profissional. A estratégia procura aproximar os cuidados de saúde das populações e melhorar a capacidade de resposta local.
A implementação dos mais de mil implantes contraceptivos representa, assim, uma das medidas previstas para reforçar a prevenção da gravidez precoce em Angola.
Prevenir uma gravidez precoce exige mais do que uma solução isolada, exige informação, acompanhamento e acesso efectivo aos serviços de saúde, algo que projectos como o GRADAM procuram colocar ao alcance de mais mulheres, mesmo nas regiões mais distantes dos grandes centros.
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