Saúde mental, corpo, relações, trabalho, direitos e bem-estar estiveram no centro da 3.ª edição do Elas à Mesa. Realizado a 5 de Setembro, em Luanda, o encontro promovido pelo Mulheres.ao reuniu 100 mulheres, seis especialistas e diferentes gerações numa tarde de informação, partilha e experiências.
A sala encheu-se de mulheres com diferentes idades, profissões e histórias. Algumas já conheciam o Elas à Mesa. Outras chegavam pela primeira vez, curiosas sobre o que encontrariam numa tarde construída à volta de uma pergunta que, de uma forma ou de outra, atravessa a vida de muitas mulheres: «Quando Tudo Pesa, Quem Te Segura?»
Realizada a 5 de Setembro de 2026, em Luanda, a 3.ª edição do Elas à Mesa reuniu 100 mulheres para falar sobre saúde mental, corpo, relações, trabalho e direitos. Mais do que abordar cada tema isoladamente, o encontro procurou mostrar como estas diferentes dimensões se cruzam na vida real e influenciam a saúde e o bem-estar feminino.
Além disso, por acontecer no mês do Setembro Amarelo, esta edição colocou uma atenção particular na saúde mental. A proposta não era apresentar respostas prontas, mas criar condições para falar com informação, ouvir especialistas, fazer perguntas e, sobretudo, reconhecer que pedir ajuda também faz parte do cuidado.













3.ª edição do Elas à Mesa colocou a saúde mental feminina no centro da conversa
A pergunta que deu nome ao encontro partiu de uma realidade conhecida por muitas mulheres: a acumulação de responsabilidades. Trabalho, filhos, relações, família, casa, dinheiro, saúde e expectativas pessoais coexistem e, muitas vezes, a capacidade de continuar a dar resposta a tudo é confundida com estar bem.






Por isso, a saúde mental feminina atravessou grande parte das conversas da tarde. Falou-se sobre cansaço, stress, burnout, culpa, relações e sobre a necessidade de reconhecer os próprios limites antes que o corpo ou as emoções obriguem a parar.
Ao mesmo tempo, a conversa procurou afastar-se da ideia de que cuidar da saúde mental é apenas procurar ajuda quando já não se consegue continuar. Prevenção, autoconhecimento, redes de apoio e acompanhamento especializado surgiram como partes importantes de uma relação mais saudável com o bem-estar.
E talvez tenha sido precisamente essa proximidade com a vida quotidiana que fez tantas mulheres reconhecerem nas conversas situações que já viveram — ou continuam a viver.
Saúde da mulher: o que o corpo guarda quando continuamos a aguentar?
O primeiro painel partiu da pergunta «O que o seu corpo guarda em silêncio?» e aproximou saúde física, saúde emocional e relações. A médica hematologista Silvana Kurizemba, a neuropsicóloga e teóloga Conceição Júnero João e a fisioterapeuta pélvica Olga Silva conduziram a conversa a partir das suas diferentes áreas de especialização.

Silvana Kurizemba explicou como o stress prolongado pode manifestar-se fisicamente e por que razão o corpo não deve ser separado daquilo que vivemos emocionalmente. Já Conceição Júnero João trouxe para a conversa as relações, o casamento, a culpa, a fé e algumas das exigências emocionais que acompanham a vida das mulheres.
Por sua vez, Olga Silva abriu espaço para um dos temas que ainda encontra resistência nas conversas públicas: a saúde pélvica e sexual feminina. Com uma abordagem clínica e acessível, mostrou que conhecer o próprio corpo, reconhecer alterações e procurar acompanhamento especializado também são formas de prevenção.
Assim, assuntos que tantas vezes permanecem em silêncio chegaram à mesa sem constrangimentos desnecessários, mas também sem perder o rigor que temas de saúde exigem.
Trabalho, bem-estar e direitos: quando gerir tudo também começa a pesar
No segundo painel, «O peso de gerir tudo e ainda render», a conversa deslocou-se para outra realidade muito presente na vida feminina: a pressão para corresponder em todas as frentes. A psicóloga Gizela Nogueira, a controller de gestão Carolina Luacuti e a jurista Manuela Relas trouxeram perspectivas complementares sobre trabalho, bem-estar, finanças e direitos.

Gizela Nogueira abordou o desgaste emocional associado à vida profissional e chamou a atenção para formas de exaustão que podem passar despercebidas quando a mulher continua produtiva. Porque cumprir tarefas, comparecer às reuniões e manter a rotina não significa necessariamente estar emocionalmente bem.
Carolina Luacuti acrescentou à discussão a gestão e a relação com os recursos financeiros, enquanto Manuela Relas aproximou o Direito de situações concretas da vida profissional e familiar. Desta forma, o painel mostrou que autonomia, saúde emocional e conhecimento dos próprios direitos também estão relacionados.
Mais do que discutir produtividade, a conversa levantou uma questão necessária: até onde é possível gerir tudo, cuidar de todos e continuar a render sem começar a negligenciar a própria mulher?
Momento DELTEA ampliou a conversa sobre saúde mental
Entre os painéis, a programação reservou ainda um Momento DELTEA dedicado à saúde mental. A Dra. Sara, da associação nacional ligada à área da saúde mental, juntou-se ao encontro para uma conversa centrada na importância da prevenção, da informação e da procura de apoio especializado.

A participação acrescentou outra dimensão ao tema central da edição. Afinal, falar sobre saúde mental implica também ajudar as pessoas a reconhecer quando precisam de apoio e contribuir para reduzir o estigma que ainda acompanha a procura de acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.
Além deste momento, a DELTEA foi parceira do coffee break, com uma selecção de chás e cafés. A pausa tornou-se, assim, uma continuação natural do encontro: enquanto umas mulheres conversavam sobre aquilo que tinham acabado de ouvir, outras aproveitavam para se conhecer e trocar experiências.
E foi também nos intervalos que se percebeu uma das forças do Elas à Mesa: muitas das conversas não terminavam quando o microfone mudava de mãos.
Elas à Mesa juntou diferentes gerações à mesma conversa
Entre as 100 participantes, um dos aspectos que mais marcou esta edição foi a diversidade geracional. Mulheres mais jovens partilharam a sala com profissionais em diferentes fases da carreira e com mulheres com mais de 60 anos, que acompanharam e participaram em conversas sobre temas que nem sempre fizeram parte do diálogo aberto das suas gerações.

















Saúde mental, sexualidade, casamento, corpo, dinheiro, carreira e direitos foram discutidos sem criar uma fronteira entre idades. Pelo contrário, as diferenças de experiência enriqueceram o encontro e mostraram como algumas preocupações mudam ao longo do tempo, enquanto outras atravessam gerações.
Essa presença ajudou também a concretizar aquilo que o Mulheres.ao procura construir com o Elas à Mesa: um espaço onde diferentes mulheres possam encontrar informação, ouvir outras perspectivas e participar numa conversa que não exige experiências iguais para criar identificação.
No final, ficou uma imagem particularmente significativa: mulheres que poderiam ser mães, filhas ou avós umas das outras sentadas na mesma sala, a falar sobre assuntos que durante demasiado tempo foram tratados apenas em privado.
Parceiros do Elas à Mesa transformaram presença de marca em experiência
A experiência começou antes mesmo dos painéis. À entrada, cada participante recebeu um girassol amarelo oferecido pela Candyarts, numa referência ao Setembro Amarelo. A Neusartz, por sua vez, acrescentou flores e leques para as senhoras e lenços de lapela para os homens presentes.
A Refriango assegurou a água Pura e integrou o sumo Nutry nos mocktails servidos durante o evento. A Chende.Aromas apresentou os seus produtos no espaço, enquanto a Era e Feel integrou a área de exposição e preparou também brindes para as painelistas.












Já a Bricomãos ofereceu presentes às seis especialistas e, em parceria com a Prazeres Intenso, criou uma pequena surpresa para a audiência. Dois cartões foram escondidos debaixo de cadeiras e as mulheres que os encontraram receberam presentes especiais, um momento simples que rapidamente envolveu toda a sala.

Por fim, a Ombala assegurou o registo fotográfico e audiovisual do encontro. Mais do que ocupar espaço de visibilidade, os parceiros contribuíram, assim, para diferentes momentos da experiência vivida pelas participantes.
The Goal Space surpreendeu mulheres que estavam no Elas à Mesa pela primeira vez
Outra das activaçõees aconteceu através da The Goal Space, com uma dinâmica criada para descobrir quem estava a participar no Elas à Mesa pela primeira vez.
Havia, no entanto, uma segunda condição: estar vestida de rosa.
As mulheres que reuniram os dois critérios foram surpreendidas com planners e agendas oferecidos pela marca. Entre risos, mãos levantadas e a curiosidade de perceber quem seria contemplada, a dinâmica trouxe leveza ao encontro e criou uma memória especial para algumas das estreantes.
Ao mesmo tempo, a iniciativa mostrou o potencial das parcerias quando estas deixam de ser apenas presença visual e passam a integrar efectivamente a experiência do público.
Um evento para mulheres onde a audiência também faz parte da conversa
Seis especialistas trouxeram conhecimento para a sala, mas as 100 mulheres presentes não foram apenas espectadoras. As perguntas, reacções e conversas que surgiram ao longo da tarde ajudaram a dar profundidade aos temas e aproximaram o conhecimento técnico das situações vividas no quotidiano.
















Também as moderadoras tiveram um papel importante nesse processo. Mais do que conduzir os painéis, ajudaram a criar pontes entre especialistas e audiência, permitindo que as conversas avançassem com naturalidade e que diferentes assuntos encontrassem espaço dentro do tempo disponível.
Esse modelo participativo é parte da identidade que o Elas à Mesa tem vindo a consolidar. O encontro não pretende substituir consultas, acompanhamento profissional ou espaços especializados. Pretende, antes, aproximar informação credível das mulheres e abrir portas para conversas que podem continuar depois do evento.
E, nesta terceira edição, houve claramente mais assuntos do que tempo disponível.
3.ª edição consolida o Elas à Mesa como espaço de informação e comunidade feminina
À terceira edição, o Elas à Mesa reforça o seu posicionamento como um dos projectos presenciais do Mulheres.ao dedicado à informação, conhecimento e criação de comunidade entre mulheres.
A sala cheia é um indicador importante. Contudo, o sucesso do encontro também se revelou na participação da audiência, na diversidade de gerações, na qualidade das especialistas, nas conversas que continuaram durante as pausas e no envolvimento dos parceiros em experiências pensadas para as participantes.
Sobretudo, ficou evidente que existe espaço para encontros onde as mulheres possam falar de assuntos sérios sem transformar cada conversa numa palestra distante da sua realidade. É possível informar com rigor e, simultaneamente, criar proximidade.








Foi isso que aconteceu a 5 de Setembro: 100 mulheres sentaram-se à mesma mesa para falar sobre aquilo que pesa, mas também sobre as ferramentas, pessoas e redes que podem ajudar a tornar esse peso mais leve.
Depois da 3.ª edição do Elas à Mesa, a conversa continua no Mulheres.ao
O encerramento do evento não significa o fim dos temas abordados. Nas próximas semanas, o Mulheres.ao vai publicar conteúdos dedicados às especialistas que integraram esta edição, permitindo aprofundar algumas das questões que despertaram maior interesse durante os dois painéis.
Desta forma, parte do conhecimento partilhado presencialmente chegará também às mulheres que não estiveram na sala. E quem participou poderá revisitar temas, conhecer melhor o trabalho das especialistas e continuar algumas das conversas iniciadas naquele sábado.
Porque quatro horas permitiram falar de muita coisa. Mas também deixaram claro que ainda existe muito por dizer.
Próxima edição do Elas à Mesa já tem data
E para quem saiu com vontade de ficar mais um pouco — ou acompanhou esta edição de fora e decidiu que não quer perder a próxima — a mesa voltará a estar posta.
A 4.ª edição do Elas à Mesa acontece a 6 de Novembro de 2026, em Luanda, e terá uma abordagem em torno da Independência Financeira, com o tema: O Dinheiro não é tabu. A ignorância sobre ele é que custa.
Depois de perguntar «Quando Tudo Pesa, Quem Te Segura?», o Mulheres.ao prepara-se para colocar outra conversa necessária no centro da mesa: dinheiro, autonomia e as escolhas que a independência financeira permite às mulheres fazer.
Quem esteve na terceira edição já sabe o que acontece quando nos sentamos à mesa.
Quem não esteve, tem uma nova oportunidade em Novembro.
